O que eu poderia dizer sobre você, vida? Com todas as surpresas e loucuras. Você me deixa boquiaberta diariamente. Tenho uma imensa vontade de consumir-te. Descobrir-te. Jamais perder-te. A fé de que você é eterna aqui. E depois, também. A suave beleza de tudo que há aqui, dentro e fora de mim. A vastidão do tempo, do mundo, das pessoas. A interessante viagem em que eu entrei, por algum motivo especial. A vida: uma viagem, talvez? Quem sabe. E viajando, você coloca tantas coisas no meu caminho. Pessoas. Algumas que eu gostaria de reter comigo, sem prazo de validade. Entretanto, algumas lágrimas, alguns sorrisos, muitos momentos. Viver. É estar mais que no mundo apenas. É estar em si. E no mundo ao mesmo tempo. É estar dentro do seu próprio eu. Sem contar que esse eu faz parte do mundo. Ao mesmo tempo em que vai ironicamente de encontro á ele. E algumas, vezes, ao encontro dele. Paradoxal, é essa vida. Algo que nos fez rir ontem, talvez hoje não faça mais sentido. O medo que tínhamos do amanhã, dissipou-se com o agora. Viver é tão mais. Mais que tudo que dizem que é vida. É tão subjetivo também. E no fim, é uma coisa só. Fim, que fim? A vida acaba, afinal? Só sabe quem chegou do outro lado. Que lado? São tantas perguntas. E as respostas, elas todas são tão chatas. Podem ser descartadas. Talvez, viver não é ficar em busca de respostas para as coisas boas e ruins que acontecem. Viver é viver. É deixar que o dia presente responda á si mesmo, e ao mundo as perguntas mais irrespondíveis já inventadas.
