Gostava de ficar ouvindo o barulho do silêncio. Parava para escutar. Sempre sentia aquela imensidão silenciosa dentro de si. Uma ideia vasta de pensar em nada ao mesmo tempo em tudo, também. O vento frio balançava as folhas das árvores, trazendo ao silêncio um barulho ainda mais brilhante. A paz que emanava dos seus passos. Esses, que ela dava sem pressa. Um á frente do outro. Vagando em seus pensamentos. Era uma competição consigo mesma. Diante de tantos acontecimentos, ela respirava fundo e absorvia tudo ao seu redor. Gostava de manter-se fixa àquilo que lhe fazia bem. E o fazia. Eram desalinhos entre tantas histórias. As linhas tortas mas cheias de sorrisos. Ela seguia sua vida como havia se prometido. Ela já não chorava mais, se não fosse por um bom motivo. Ela já havia desatado os nós e quebrado as correntes. Mas ela na verdade, não havia o esquecido. Seu caminho ainda tinha o olhar dele e isso talvez jamais pudesse ser apagado. Por si, enveredados em sua estrada. Ela gostava de pensar nos olhos sempre. E no sorriso. E em tudo o que lhe fazia bem. Ela, às vezes, tinha sonhos. Surreais como seu querer. Ela andava nos céus e aconchegava-se nas nuvens. Ela olhava em seus olhos e ele sorria de volta. Ela viu tantos outros depois dele. Mas ninguém havia lhe tocado. Ninguém como ele. E no fundo, em algum lugar abaixo de todo seu orgulho, nos recônditos dos seus segredos mais bem guardados, ela o mantinha. E se sobressaía dia-pós-dia com a lembrança da sua doçura e a esperança de que o encontro dos seus olhos, deixaria o âmbito dos sonhos outra vez. Uma vez, ela o encontrou, somente. O que faltava agora, era o reencanto. O recomeço. O reencontro.
