Solte seus ombros. Relaxe. Só hoje. Olhe para o sol, ele continua ali. A chuva veio hoje, para lhe refrescar. E, veja, quão doce é a brisa da noite. Somos narcisos desse tempo. Somos tão enganados. Pensamos que esse corpo físico é tudo. O tempo - ou a falta dele - nos faz ir por ele, e contra ele, tantas vezes. Deixamos passar coisas tão lindas e únicas, com o preceito de confederar o nosso caminho. Quando a chuva vêm, reclamamos do quanto nos molha. E então, o sol retoma seu lugar, e rapidamente, sentimos falta das gotas da chuva. Quando já estamos cansados do sol, queremos a chuva de novo. Para nos cansar dela outra vez. E quando não aguentamos mais o dia, imploramos pela noite, que para nós, passa com tamanha rapidez, porque estamos incapazes de perceber sua voracidade. Somos seres perdidos no âmbito do nada, andando sistemáticamente, correndo por tudo, indo para o mesmo nada. Pois, ainda haverá o dia, em que o tudo que hoje nos pertence, não mais existirá, pela nossa ingratidão, talvez.
