E de repente me perco entre meus verbos soltos. A realidade é tão chata diante dos sonhos. Eu sei que viver é melhor que sonhar. Mas uma vez que nos meus sonhos eu tenho tudo que me convém, é claro que entramos em contradição. E me perco entre minhas tentativas de esquecer. Esquecer o nada que você deixou pairando no ar. Essa história de linhas tortas que ninguém sabe onde começou. Nem se começou. Nem se vai começar. Essa loucura toda que eu vivo agora. De acordar e lembrar. De deitar e ir embora. E não sei até onde vou chegar com tudo isso. Vivendo um sorriso superficial como esse. Convicta de que escolhi derramar tais lágrimas. O medo interrompendo sempre o que poderia ter sido. Virando as esquinas com o peso nos passos. Todo esse dramalhão na minha mente. Será que um dia eu vou rir disso tudo? Ou o que continua é essa perdição tortuosa? E virá outro sol, outro céu, outro lugar. E tenho a sensação de que isso seja uma maldição. E você vai me perseguir e eu vou negar. E vou encher a boca de orgulho pra dizer: estou em paz. Com todas as mentiras convencíveis possíveis. Desde que os olhares foram amarrados. Eu não me queixo. Eu não deixo. Eu só preciso descobrir que caminho é esse que os seus olhos estão me levando. Ou que estou me levando aos seus olhos. ''Estou em paz''.
