Faria qualquer coisa para não precisar estar vivendo isso. Minto. Não faria. Pensando bem, eu me pergunto: será que se eu tivesse a chance de escolher por nunca estar vivendo isso, eu escolheria nunca viver isso? Acho que não. Talvez sado-masoquismo da minha parte. Calma. Aí, peguei pesado. Mas não sei. É que sou ansiosa. Não existe remédio, anestesia, injeção, maconha, terapia, igreja, umbanda, ioga, reza, microbiótica e nenhuma outra medida social, espiritual e política capaz de mudar minha mania de ser ansiosa. De querer logo. Agora. Pontualmente. É que isso me dá medo. Essa coisa toda. É bonito. Mas é loucura. Chega a ser irreversível. Me sinto livre. Na mesma proporção em que me sinto presa. Não me permito esquecer. E não vou dizer que não tentei... Mas também não vou dizer que quero. Esquecer? O quê, afinal? Poderia citar milhares de coisas que preciso esquecer, mas, por algum motivo eu não o faço. Nem o farei. O fato é que ninguém jamais conseguiu permanecer tanto tempo tomando meu tempo e pensamentos. Até você aparecer. Eu sempre fui forte e racional o suficiente. Mas dessa vez, eu engoli todos os meus ideais e teorias. E aqui estou. Estagnada. Parei no tempo e não voltei. Me sobrou esse nó enorme na garganta, no estômago, na cabeça, na vida, no coração. Essa convicção tão duvidosa. Hora certeza, outrora dúvida. Brilho nos olhos, sorriso torto, babaquice diária. Esse medo misturado de coragem. Quem sabe eu só preciso de um conselho, um remédio, um descarrego, férias, um porre, um cara alto e bonito, mais ioga, livros, filmes, rezas, você.
