Eu posso fechar os olhos e reviver tudo novamente. Ouço as conversas, pessoas ao meu redor, nós dois ali. Uma vontade imensurável. Os olhos grudados. E quando entrelaçamos os dedos, meu coração estava ali: entregue. Também entrelaçado. Pela primeira vez, talvez, eu senti segurança. Ainda com todas as incertezas - você sabe que eu tenho mania de indecisão, não sabe? - E aí, eu revivo tudo. Sempre. Gosto de reviver. Esperar nunca me fez morrer. Não até hoje. E eu lembro de cada detalhe. As conversas, os cafunés e as piadas. Eu tentando entender o que se passava pela sua cabeça. Procurando de algum modo decifrar seu olhar torto e rápido. Ácido e vário. Você talvez se perguntando o que eu estava pensando também. E eu só imaginando o que tinha me levado até ali. Você sentindo o cheiro do meu cabelo. Me irritando com facilidade. Querendo fazer promessas que eu sabia que não seriam cumpridas. O cheiro do café. As pessoas andando. Parecia outro época. Outra vida. As máscaras todas tinham sido jogadas fora. Uma multidão. Mas ali, na verdade, só eu e você. Para sempre.
