Então escrevo. Como se fosse a última coisa da minha vida a ser feita. Pois palavras podem ter efeito efêmero. Ainda que também eterno. No caos, na paz, no amor, no ódio, na vida, na morte. Escrevo, enfim. E coloco nas palavras todos meus segredos, desejos e anseios. Subentendidos pela gramática do não-saber. Desconhecidos por quem não conhece meu viver. Exorcizando-me diariamente. Suga-me tudo que há de ser dito. Escrito. Subscrito. Aqui não pode ficar. Tampouco alojar-se. Palavras. Devem-se esvair, sair, auto-expelir. E eu escrevo. Para quem se atrever a ler. E mais audaciosos são ainda os que se atrevem a entender. Faço de mim um livro free, do qual as palavras avoam pelo vento, sem nó, sem empecilho, só voam. E vão ecoar nos ouvidos abertos. As palavras ficam. As palavras passam. Ecoam. Nos ouvidos de quem se atreve, nos ouvidos de quem se abre, nos ouvidos de quem recebe.
