quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Deleito

A brisa vem aos recantos de minh'alma  Aquela brisa do céu denso e quente do ontem já deixado. Deixado em matéria, porém não, em lembranças. Volta e meia eu volto lá. Volto ao balanço calmo da rede, volto ao vento quase intermitente da noite que alivia o calor quase agoniante que nos acompanhou durante o dia, volto ao meio-dia em que todos estavam calmos, como de costume depois do almoço, deitados com pés descalços. Caminho novamente pelas veredas das minhas lembranças... O mato alto atrás das casas, as árvores que gemiam por chuva mas ainda assim, não perdiam o seu encanto verde. As conversas das oito horas, os doces da tia-avó, todos reunidos na praça central, as cadeiras de balanço e seu acalento, o olhar confortante de quem tanto me prezava, a hospitalidade de quem me esperava. O céu estrelado inesquecível e o silêncio no balanço da brisa. As festas de fim de ano em que todos borbulhavam ansiosos por novos olhos e abraços. Voltar é sempre bom. Reviver toda aquela paz outra vez. O céu inapagável aqui dentro. Sentir a brisa ao cair da noite que me fez. E o pôr-do-sol com a volta para casa. Correndo sem medo, sem tempo, sem compromisso. Só sonhar, só rir, só sorrir. E nem quilômetros separam minh'alma da brisa doce e das lembranças do meu chão.