quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O moço dos olhos

Eu tenho um grande defeito. Aliás, tenho vários mas esse é o ápice dos meus erros. Nunca sei como começar coisas. E isso vale para textos também. Nunca sei como começá-los. Era uma vez é tão chatinho e eu sempre optei pelo foco pra início. Essa é uma boa maneira de se começar um texto: falando que não sei como se começar um texto. Ou, começando com o foco: os olhos do moço. Como eu poderia descreve-los? Eu prefiro não o fazer pelo simples fato de que será meloso demais e coisas melosas nos meus textos eu jamais permiti - mentira. Enfim. Não irei descreve-los. Todavia, apenas citá-los. Citei. Pronto. Preciso falar um pouco sobre tais. A doçura com que me prenderam. Mas eu escolhi ficar presa. Olhar nos olhos do moço foi um banho na alma. Eu já disse diversas vezes que parei no tempo para sempre. E não sei até onde esse negócio tá certo. Mais uma vez eu arrasto tudo para o fim. Quando, na verdade, eu nem nos permiti um começo. Mas o medo vem intervindo sempre e eu o deixo intervir por que tenho a sensação de que, talvez, de certa forma, ele possa resolver minhas algemas. Mais um dia. Atrevo-me a olhar em outros olhos. Nada é igual. Talvez seja um feitiço. Covardia. Covardia mesmo da sua parte, ter usado magia á fim de me reter. Mas não... Eu sei que não. Obvio que não! E então eu me pergunto como posso ser tão... Estúpida?! O fato é que outros olhos não substituem os teus. Embora quisera eu. E então eles se atrevem também. Audaciosos olhos. Que me penetram á visão. Mas não conseguem entrar de fato em mim. Tampouco substituir-te. Mas esse turbilhão já não me assusta mais. E eu precisaria no entanto, no mínimo de algumas explicações. A primeira e primordial, seria sobre o porquê dos seus olhos, os seus enfim. E porque não consegui nunca mais sentir o mesmo olhando em outros. Esse negócio de visão é uma loucura. A gente acha que vê com pele, mas é com alma.